«QUARTA-FEIRA, 5 DE ABRIL DE 1944
Minha querida Kitty,
(...)
Não imagino ter de viver como a Mamã, Mrs. van Daan e todas as mulheres que fazem o seu trabalho e depois são esquecidas. Preciso de ter mais alguma coisa a que me dedicar, para além de um marido e filhos! Não quero ter vivido em vão, como a maioria das pessoas. Quero ser útil e levar prazer a todas as pessoas, mesmo àquelas que nunca conheci. Quero continuar a viver depois da minha morte! E é por isso que estou tão grata a Deus por me ter dado este dom, que posso usar para me desenvolver e exprimir tudo o que está dentro de mim!
Quando escrevo, consigo libertar-me das preocupações. A minha dor desaparece, o meu espírito reanima-se! Mas, e esta é a grande questão, conseguirei alguma vez escrever algo grande, tornar-me-ei alguma vez uma escritora ou uma jornalista?
(...)
Sim, Anne. Conseguis-te tornar-te numa escritora, e escreveste "algo grande". Algo que chegou às pessoas que nunca conheces-te mas que nos levou a conhecer-te mesmo assim. É triste toda a dor que passaste dos 12 aos 15 anos, e ainda mais triste o fim que tu e os teus tiveram. Sem falar de todas as outras milhares de pessoas que morreram injustamente pelo poder absurdo de Hitler. Aquele idiota. Agora, ainda mais, odeio todo o homem que considera a guerra uma solução. E Espero que estejas feliz onde quer que estejas porque ainda vives depois da tua morte!

Este é um dos livros da minha vida e ela é, sem dúvida, umas das heroínas que mais admiro.
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