Era apenas mais uma noite de inverno como todas as outras em Portugal, muito frio, o tempo húmido e gelado. Uma rapariga estava deitada e a tremer na cama com o frio, tinha um livro nas mãos e os seus dedos estavam brancos, não só por estarem duros do frio mas também pela força que ela exercia sobre o livro. Dava para notar que o livro estava no fim, com duas ou três páginas para ela o fechar. Passado menos de 5 minutos o livro foi fechado. Ela sentou-se na cama com frio e percebeu que não ia dormir bem enquanto não chorasse e, assim o fez. Não estava a chorar porque a história era triste ou pelo seu final trágico. Chorava por causa da complexidade de tudo o que leu, da força com que o fim embateu sobre ela e abalou o seu sono. Enquanto as lágrimas cediam, perguntava-se se existiriam pessoas na realidade com capacidade de ter tanta força como naquele livro. Ela chorava por temer não ter tal força e coragem. Temeu ser fraca e uma pessoa incapaz de superar tristezas tão profundas como aquela. Fechou os olhos com força e disse entre lágrimas «olha por mim e por todos aqueles que amo, olha por mim e por ele, quero apenas que Tu olhes». Deitou-se e não limpou as lágrimas, deixou-as secarem-se sozinhas, até sentir a pele do seu rosto rija.
«As Palavras Que Nunca Te Direi», o livro estava na mesa de cabeceira como todos os livros ficam depois de serem lidos, abandonado e com as páginas menos juntas do que antes... com a mão no interruptor pensou «Nicholas Sparks, tiraste-me o sono». Apagou a luz, e o sono caiu sobre si.
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