Enquanto subia a rua, olhava para as minhas botas a calcarem poças de água e, da mesma maneira que os meus pés se afundavam, os meus pensamentos iam junto. A água chapinhava por todo o lado, o sol estava algures escondido atrás das nuvens e o céu tão cinzento que as poucas pessoas que iam naquela rua deserta, caminhavam depressa para evitar a possibilidade de se molharem. Eu continuei à mesma velocidade, lenta, a jogar com os pés e a olhar para o chão lamacento. Na verdade sentia-me como a lama, sem possibilidade de ter outro futuro a não ser ficar atolada até que a água me fizesse desaparecer por completo. Desejei tanto que a chuva caísse naquele momento e que junto com uma tempestade me lavasse a alma e os meus pensamentos me deixassem em paz. Mas as nuvens não cederam e eu tive de suportar a força de toda aquela angústia, sem razão nenhuma, sufocar-me. O peito ainda me dói por ter forçado uma respiração regular. Tinha o peito pisado e o coração apertado, enquanto que os meus olhos só tinham defronte deles umas botas, água e lama. Senti medo não sei de quê e nem porquê. Não ousei levantar a cabeça até a rua chegar ao fim.
que triste, mas tão lindo e bem escrito!
ResponderEliminarde nada linda, eu também gosto muito de quando me dão a sua opinião. obrigada!
ResponderEliminarMuito obrigada
ResponderEliminar