quinta-feira, 12 de julho de 2012


Estava deitada e conseguia sentir o sol a aquecer-me a pele, já a sentia a ficar vermelha mas deixei-me ficar. Lembro-me que não nos importávamos com os problemas que o sol nos podias causar, a única coisa com que nos importávamos era em conseguir o melhor bronzear. Era tipo uma competição, em que com a vantagem de eu ser a mais morena, ganhava sempre. Lembro-me também de que antes não nos importava se fazia sol ou se fazia chuva, como a praia nunca saía do sítio o tempo estava sempre bom para podermos passar por lá. Havia sempre o que fazer, desde comer pipocas na praia, a apanhar ondas e estatelar-nos no chão, até ver quem é que conseguia nadar primeiro até depois dos limites que os nadadores-salvadores nos impunham.
Continuava exposta ao sol, deitada, o ardor na pele estava ainda mais forte mas ainda assim, não me mexi. Dei por mim a pensar em como as coisas mudaram, como a idade adulta chegou sobre nós de uma maneira tão repentina que nem nos deu tempo de aceitá-la. Quando era criança o que mais deseja era ser «grande», porque assim eu podia fazer tudo sem dar justificações e, mais importante de tudo, podia comer quantos doces quisesse. Agora que cresci, percebo que sinto falta de dar justificações a alguém do que faço; sinto falta de que alguém decida as coisas por mim para me livrar das preocupações, percebo que a vida ao invés de doce pode ser bem amarga e cruel quando quer, que às vezes nem todo o doce é doce.
A minha pele começou a ficar húmida de suor com o sol abrasador e a inexistência de vento, sentia que se tornava difícil de respirar mas resisti e permaneci ao sol. Fomos para caminhos diferentes, mas o «pilar» que nos unia continuou lá, intocável. Vivemos momentos que nunca pensamos vir a viver; crises de amor, doenças, ciúmes, mortes, funerais, festas, noites, enfim, tudo de bom e de mal que a vida oferece. Hoje, penso em tudo o que já vivemos e sinto um nó na garganta por saber que não posso voltar lá atrás, não para mudar as coisas mas para poder viver tudo de novo, da mesma maneira sem mudar um único gesto. Tenho medo do que aí vem, vamos dar mais um passo em frente, e sei que as nossas vidas vão se separar ainda mais. Mas, vou pensar como sempre prometemos pensar; o destino juntou-nos como amigas e nós optamos em juntar-nos como irmãs.
Comecei a sentir comichão nos braços e um ligeiro desconforto por estar deitada na areia da praia a tanto tempo, virei-me para ti e disse:
- Não queres ir embora?
- Não, quero bronzear-me, é que depois de tantos anos finalmente estou mais morena do que tu. Vamos às seis.

Sem comentários:

Enviar um comentário