Que ironia, hoje sonhei. Sonhei que estávamos a andar de mota a subir a avenida da Praia de Esmoriz à noite com o céu completamente estrelado. Que fomos para um sítio calmo e sereno onde não estava ninguém. Eu levava um vestido de gala castanho e brilhante e tu levavas um fato preto que te caía lindamente. Abraçaste-me e ao som de uma música linda, dançamos verdadeiramente apaixonados e cantas-te o refrão ao meu ouvido. «Como se chama esta música?», «é a (...)»... dava tudo, tudo para me lembrar do nome que disseste. Mas se calhar é melhor assim. Temos uma música só nossa que não cabe a ninguém lembrar-se do nome para o feitiço e magia nunca se quebrarem com os espinhos e lágrimas que há no meio. Depois, ainda ao meu ouvido de pé, abraçado a mim e a dançar, fizeste-me promessas de que íamos viajar para a Irlanda e depois para outro país que também não me consigo lembrar do nome. «E a minha vontade não conta? Também quero escolher um país.», só que o nosso jeito de ser é mesmo assim, portanto tu nem te deste ao trabalho de me responder e eu fiquei feliz por isso. No fim eu saltei e entrelacei as minhas pernas à tua cintura, tal como nos filmes, beijei-te e ali começas-te a rodar brutalmente até ambos ficarmos tontos.
E o meu sonho acaba ali. Naquela nostalgia que pairava no ar, com todas as emoções que tu me causas ali explícitas. O meu coração à roda, os meus pés sem terem onde pisar, os meus olhos sem conseguirem fixar um ponto... és tu que moves o meu mundo. Costuma-se dizer que «o sonho comanda a vida». E eu quero ser comandada por este, para sempre.
Escrevo isto aqui não para tu leres, mas sim para nunca me esquecer deste sonho que por mais estúpido que possa ser, foi o sonho mais bonito que alguma vez tive.
É pena o que se anda a passar connosco, porque nós somos os corações mais verdadeiros que alguma vez vi e podemos ser tão felizes.
Basta querer e viver... basta sonhar.
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