sexta-feira, 3 de junho de 2011

Abaixo e acima de qualquer coisa

" - Uma vez zanguei-me. Disse que não era que eu não quisesse mudar. Queria. Mas as pessoas estavam sempre à espera que eu fizesse tudo sozinha. Disse-lhe «Quer que eu mude, mas nunca vai ter comigo a meio. Para me ajudar.» Disse-lhe «Nalguns dias vai ser mais difícil para mim, e o senhor vai ter de me encontrar a setenta e cinco por cento do caminho, porque só vou conseguir percorrer vinte e cinco por cento. E noutros, vai ter de avançar noventa e cinco por cento. E de vez em quando poderá ter de percorrer todo o caminho, todos os cem por cento do caminho, e levar-me ao colo, porque de outra forma não vou conseguir ir a lado nenhum. Alguém vai ter de levar-me algumas vezes ao colo e não apenas ficar à espera que eu faça tudo porque simplesmente não vou conseguir.» E ele respondeu que o meu problema era esse. Eu esperava que as outras pessoas mudassem por mim. (...)
- Não, não necessariamente. O problema é que ninguém pode fazer por si algumas das mudanças mais difíceis.
Anuiu.
- Eu sei. É só que, bem, fazê-las... Bem, eu só quero... Preciso de... Qual é a palavra que procuro?
- Apoio?
Encolheu os ombros. (...)
Preciso de saber que só eu é que me fui abaixo e não todo o universo. Estou tão fraca. Preciso de saber que há por aí alguém que é mais forte. Alguém que ainda detém o controlo das situações. É disso que estou a falar."

page 167/168, in A Força dos Afectos by Torey Hayden

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