quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014


A morte vai ser sempre uma incógnita para todos os vivos como nós. Quando era criança, e ouvia os adultos a falarem da morte de alguém à minha beira, sentia-os muito protectores em relação a mim. Acreditava que as pessoas quando morriam iam para o céu ou para o inferno, mais tarde, passei a acreditar que os espíritos das pessoas ficavam adormecidos num sono longo até que o dia do julgamento chegasse. Desde o início das nossas vidas, que nos incumbem a ideia de que a morte não é assim tão dolorosa quanto parece, e isso tanto resulta que nunca pensamos na possibilidade de uma tragédia dessas nos acontecer. É sempre com a outra pessoa, com aquele vizinho ou com aquele desconhecido que deu na televisão. A verdade é que de um ano para cá, pessoas que conheço têm morrido. Sei que faz parte do ciclo da vida, que todos partem um dia, que o nosso tempo é limitado e que a cada vez que nos deitamos na cama à noite estamos mais próximos do último dia. Aquele dia que vai condicionar a vida de dezenas de pessoas simultaneamente de forma diferente. Um vai chorar, outro vai passar o dia todo com mal estar, outro vai dar os sentimentos sem na verdade nada sentir, outro vai estar de olhos abertos e ouvidos atentos para conseguir ser o primeiro a contar as novidades. Há tantas reacções. Presenciei tantas delas nos últimos meses. Não há a melhor forma de lidar com isto, na verdade, acho que não existe forma nenhuma de lidar com isto. Há que fechar os olhos à noite na cama, respirar fundo, e seres demente o suficiente para acreditar que "a morte não é assim tão dolorosa quanto parece".

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