A noite estava fria lá fora mas a sala era grande e acolhedora. O tapete branco no chão, macio e limpo, que ainda com cheiro de novo fazia-nos sentir nas nuvens, acolhia o teu grupo de amigos e eu. Todos nós lá deitados num serão ao escuro. Também haviam pessoas no sofá. Eu estava ao teu lado no tapete, contente da vida. Deste-me a mão e ali ficamos. A noite avançava e a madrugada avizinhava-se junto com o silêncio que aparecia gradualmente. Cada um foi adormecendo, e já se ouviam inspirares profundos que soletravam "sono". Aconcheguei-me no teu peito e tu envolves-te o teu braço esquerdo no meu pescoço, com a mão fazias-me festas no cabelo que levavam a minha cabeça a cambalear ainda mais de sono. Reinou então o silêncio. Mudei de posição diversas vezes, de bruços, de lado, com a cabeça virada para cima e para baixo no teu peito quente, contigo a completar-me sempre com os teus braços envoltos em mim. Devo ter-te provocado uma forte dor no braço por o teres debaixo de mim, mas durante toda a noite não o tiras-te e mantiveste-te fiel àquele teu momento de ternura. As portas de correr que davam acesso à varanda estavam abertas deixando entrar uma corrente fresca para nós que dormíamos todos na sala. Dormi bem, muito bem. E soube-me melhor ainda acordar com o sol a nascer, e ser o teu rosto, o primeiro a aparecer fronte aos meus olhos.

São esses momentos que nos fazem ainda mais amar a outra pessoa não é? Conservem sempre essa vossa ternura. Esse vosso amor!
ResponderEliminarTexto lindíssimo!
ResponderEliminarObrigada querida, é mesmo isso :)
Fico contente por saber... obrigada :)
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